Mais de 700 templos religiosos são destruídos por forças russas na Ucrânia, aponta relatório
Estudo da Missão Eurásia revela que igrejas evangélicas e ortodoxas que não se submetem às autoridades russas enfrentam assédio, fechamento e perseguição
Igrejas foram destruídas por forças russas na Ucrânia. (Foto: Imagem ilustrativa/Reprodução/YouTube/PBS NewsHour). Um novo relatório publicado pela Missão Eurásia escancara o impacto da guerra sobre a liberdade religiosa na Ucrânia. Intitulado “Guerra Contínua contra a Fé: Genocídio religioso nos territórios ocupados da Ucrânia”, o estudo revela que, de 2022 a 2025, pelo menos 737 locais de culto foram destruídos por forças russas, incluindo igrejas, sinagogas e mesquitas.
Entre os templos atingidos, cerca de 450 eram igrejas batistas, denominação que reúne a maioria dos evangélicos ucranianos. De acordo com o International Christian Concern (ICC), que monitora a perseguição religiosa global, as forças russas têm mirado especificamente congregações que se recusam a se submeter ao monitoramento do governo russo nos territórios ocupados.
Casos de líderes religiosos perseguidos também foram documentados. O pastor batista Sergey Ivanov, que liderava uma congregação no sul da Ucrânia, foi preso por militares russos sob acusação de cooperar com as autoridades ucranianas e de se recusar a registrar sua igreja conforme as regras impostas pela Rússia. Seus cultos foram cancelados e o templo, fechado, enquanto ele permanecia sob interrogatório.
Igrejas ortodoxas que não se alinharam à Igreja Ortodoxa Russa também se tornaram alvos. Na Crimeia, o líder Serhii Mykhalchuk, da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, sofreu assédio e pressão legal após a anexação da península. Ao recusar o registro sob as leis religiosas russas, sua igreja foi despejada e suas propriedades, confiscadas.
Casos de violência física também foram registrados. Em uma ocorrência, um líder ortodoxo foi despido, espancado e obrigado a desfilar pelas ruas enquanto militares russos zombavam, perguntando: "Onde está o seu Deus agora?".
Observadores de direitos humanos apontam que, nas regiões ocupadas, igrejas que não cooperam com as autoridades russas enfrentam assédio constante, fechamento ou expulsão. O relatório da Missão Eurásia também menciona que alguns templos foram destruídos acidentalmente em meio aos combates, mas líderes religiosos avaliam que os ataques deliberados fazem parte de uma tentativa sistemática da Rússia de modificar a estrutura social e religiosa da Ucrânia.




COMENTÁRIOS